Vitória da Conquista, uma cidade com mais de 300 mil habitantes, conta com apenas um hospital público que realiza o exame bera para crianças autistas. Esse hospital é o Esaú Matos. No entanto, desde agosto de 2024, o equipamento necessário para a realização do exame está quebrado.
E, o que o hospital diz sobre isso? “Estamos providenciando o conserto.”
Quando será consertado? “Em breve.”
Qual a data exata? Silêncio.
Enquanto isso, famílias aguardam. Mães e pais, que já enfrentam uma jornada árdua para garantir diagnóstico e tratamento adequado para seus filhos, se veem de mãos atadas. Afinal, se não podem contar com o hospital público, a única alternativa é recorrer à rede particular, onde o exame custa cerca de R$ 800 – um valor inviável para muitas famílias.
A pergunta que não quer calar: se o filho de um dos responsáveis por essa demora precisasse desse exame, será que ele também esperaria meses por um conserto “sem data definida”?
A burocracia que custa caro – e não para o hospital
É curioso como alguns problemas parecem eternos quando afetam a população mais vulnerável. A máquina de exame beta não quebrou ontem. Já são mais de seis meses de espera. O hospital sabe do problema, os gestores sabem do problema, mas o que foi resolvido?
Enquanto isso, o tempo corre contra as crianças que precisam do exame. O diagnóstico precoce do autismo é essencial para que a criança tenha acesso ao tratamento adequado e desenvolva melhor suas habilidades. Cada dia perdido é uma oportunidade a menos para essas crianças.
Mas a questão aqui não é só sobre um exame ou um equipamento quebrado. É sobre respeito. Respeito às famílias que precisam desse serviço e pagam seus impostos esperando, no mínimo, um atendimento digno.
Até quando a resposta será “estamos providenciando”?
Se o problema fosse na sala de café da diretoria, o conserto teria demorado tanto? E se fosse um equipamento essencial para algum procedimento voltado à elite da cidade, será que ficaria seis meses sem solução?
O Esaú Matos deve respostas concretas à população. E, mais do que isso, deve uma solução imediata. O conserto do equipamento não é um favor, é uma obrigação. Afinal, o hospital tem o dever de prestar um atendimento de qualidade e eficiente para a população.
Então, deixamos a pergunta no ar para os responsáveis: Se fosse o seu filho esperando por esse exame, você aceitaria essa demora?
Vitória da Conquista aguarda – mas as crianças não podem esperar.